
Estava voltando pra casa, numa noite fria, dessas que refrigeraram a segunda semana de junho, e encontrei um amigo, o qual, ao ver-me, veio ao meu encontro.Abrecei-o, havia um tempo que não nos víamos.
Perguntei-lhe sobre o que fazia da vida, e segue aqui minha decepção:
- E ae, cara, tudo bem?
- Poxa, tudo ótimo e com você ?
- Ah, tudo bem também.E ae, como anda a vida ?
- Fazendo engenharia.
- Ah, e o resto ? Tudo bem…?
- Então, tá complicado, viu… O curso é meio barra, tem uma matéria de cálculos que veio pra segurar o pessoal.
Causou-me estranheza aquela obsessividade, no entanto, compreendi e concordei, pois a engenharia , agora, é sua vida.
- Entendi, mas, assim, o que vocÊ quer fazer dentro da engenharia ?
- Bom, eu tô fazendo pra ter um emprego legal, né ?! Porque, dependendo de onde eu arranjar um emprego, ganha uma grana boa…
- É verdade, mas, além disso… O que você quer fazer ?
- Como além disso ?
- Não sei… Maaas, nada além disso ?
- Nem, nem… sei lá.
Sei lá.Como nada além, como nada além dos cálculos e da efêmera efervescência da faculdade? Nem um amor, nem que o seja à mercê dessa vulgaridade que existe, mas que o seja, que haja, ao menos, uma chama que lhe fortaleça, que lhe instigue a viver a vida.Um sonho fantástico, uma estória mentirosa, uma piada sem graça…Andar com um grupo de gente, ao viés, trocando sorrisos e, aos passos tortos, rir-se, esnobar da vida.Sair da normalidade.
Sinto que nada disso pertence ao pragmatismo atual, ao hedonismo, à relação industrial…Sinto que sou anormal.